“Tentando amenizar a impotência do confinamento”:

a rotina pandêmica à luz da ironia dos Bichinhos de Jardim

Autores

  • Glayci Xavier Universidade Federal Fluminense
  • Eveline Coelho Cardoso SME/Teresópolis-RJ

DOI:

https://doi.org/10.47677/gluks.v21i01.231

Palavras-chave:

Semiolinguística, tiras cômicas, pandemia, humor, ironia

Resumo

Este trabalho dedica-se à análise de um grupo de tiras dos Bichinhos de Jardim, da cartunista Clara Gomes, publicadas entre maio e dezembro de 2020.  Protagonizadas por uma joaninha antissocial e extremamente crítica, as tiras selecionadas ensejam a reflexão sobre a construção da categoria do humor em textos verbo-visuais que, neste recorte, tematizam o “novo normal” decorrente da pandemia do novo coronavírus. Fundamentada essencialmente na Teoria Semiolinguística de Análise do Discurso, de Patrick Charaudeau, daremos destaque à configuração do humor como uma maneira de dizer inserida em um quadro enunciativo, com foco em sua manifestação pela via da ironia. Esta, por sua vez, é concebida como um procedimento de enunciação que se apoia na relação entre explícito/implícito e na dissociação de um sujeito comunicante concreto e sua versão discursiva, que diz o contrário do que ele pensa. Intenta-se descrever, pois, de que maneira esse jogo promove efeitos de sentido humorísticos, respondendo aos anseios de captação do gênero tira cômica no contexto midiático e, consequentemente, suavizando a sensação de caos pandêmico por intermédio da linguagem.

Biografia do Autor

Glayci Xavier, Universidade Federal Fluminense

Doutora em Estudos de Linguagem pela Universidade Federal Fluminense (UFF). Professora Adjunta de Língua Portuguesa do Departamento de Letras Clássicas e Vernáculas (GLC) do Instituto de Letras da UFF. Sua pesquisa tem como principal foco os textos argumentativos, os modos de organização do discurso, os textos verbo-visuais, sobretudo os quadrinhos, e o ensino de língua e literatura.

Eveline Coelho Cardoso, SME/Teresópolis-RJ

Doutora em Estudos de Linguagem pela Universidade Federal Fluminense. Professora de Língua Portuguesa da Educação Básica da Rede Municipal de Educação de Teresópolis/RJ. Teresópolis, RJ, Brasil.

Referências

AZEREDO, José Carlos. Gramática Houaiss da Língua Portuguesa. 4 ed. São Paulo: Publifolha: Instituto Houaiss, 2018.

BAKHTIN, Mikhail. A cultura popular na Idade Média e no Renascimento: o contexto de François Rabelais. 4 ed. Trad. Yara Frateschi Vieira. São Paulo: Hucitec; Brasília: Editora da UNB, 1999.

BRAIT, Beth. Ironia em perspectiva polifônica. 2ed. Campinas, SP: Editora da Unicamp, 2008.

BERGSON, Henri. O Riso. Ensaio sobre a significação do cômico. Trad. da 375ª

edição francesa, publicada em 1978. 2 ed. Rio de Janeiro: Editora Guanabara, 1987.

CAGNIN, Antonio Luiz. Os quadrinhos: linguagem e semiótica: um estudo abrangente da arte sequencial. 1. ed. São Paulo: Criativo, 2014.

CARMELINO, Ana Cristina; RAMOS, Paulo. Uma trajetória das pesquisas linguísticas sobre humor no Brasil. In: ______. (org.) Humor: eis a questão. São Paulo: Cortez, 2015, p. 7-17.

CHARAUDEAU, Patrick. Uma análise semiolinguística do texto e do discurso. Trad. Angela Maria da S. Corrêa. In: PAULIUKONIS, M. A. L.; GAVAZZI, Sigrid. (org.). Da língua ao discurso: reflexões para o ensino. Rio de Janeiro: Lucerna, 2005. p. 11-29.

______. Discurso das Mídias. 1. ed., 1ª reimp. São Paulo: Contexto, 2007.

______. Linguagem e discurso: modos de organização. São Paulo: Contexto, 2008.

______. Identidade linguística, identidade cultural: uma relação paradoxal. In: LARA, G. P.; LIMBERTI, R. P. (org.). Discurso e (Des)igualdade social. São Paulo: Contexto, 2015. p. 13-29.

______. Os estereótipos, muito bem. Os imaginários, ainda melhor. Trad. André Luiz Silva e Rafael Magalhães Angrisano. Entrepalavras, Fortaleza, v. 7, p. 571-591, jan./jun. 2017. Disponível em: <http://www.entrepalavras.ufc.br/revista/index.php/ Revista/article/view/857>. Acesso em: 21 nov. 2020.

CHARAUDEAU, Patrick; MAINGUENEAU, Dominique. Dicionário de Análise do Discurso. Coordenação da tradução Fabiana Komesu. São Paulo: Contexto, 2004.

DUARTE, Lélia Parreira. Ironia e humor na literatura. Belo Horizonte: Editora PUC Minas; São Paulo: Alameda, 2006.

FEDEL, Agnelo. Os Iconográfilos: teorias, colecionismo e quadrinhos. São Paulo: LCTE Editora, 2007.

FEIJÓ, Mário. Quadrinhos em ação: um século de história. São Paulo: Moderna, 1997.

FERRAREZI Jr., Celso. Guia de acentuação e pontuação em português brasileiro. 1 ed. São Paulo: Contexto, 2019.

FIORIN, José Luiz. Figuras de retórica. São Paulo: Contexto, 2018.

FREUD, Sigmund. Os Chistes e sua Relação com o Inconsciente. Rio de Janeiro: Imago, 1996 [1969]. Col. Obras Psicológicas completas de Sigmund Freud: edição standard brasileira, vol. viii.

GERHEIM, Fernando. Linguagens inventadas: palavra, imagem, objeto – formas de contágio. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Ed., 2008.

MACHADO, Ida Lúcia. A ironia como fenômeno linguístico-argumentativo. Revista de Estudos da Linguagem, ano 4, v. 2, n. 3, p. 143-155, jul./dez. 1995.

______. A ironia como estratégia comunicativa e argumentativa. Bakhtiniana. São Paulo, n. 9 (1), p. 108-128, jan./jul. 2014.

NICOLAU, Marcos. Tirinha: a síntese criativa de um gênero jornalístico. João Pessoa: Marca de Fantasia, 2010.

NICOLAU, Vitor; MAGALHÃES, Henrique. As tirinhas e a cultura da convergência: um estudo sobre a adaptação deste gênero dos quadrinhos às novas mídias. In: LUIZ, Lucio (org.). Os quadrinhos na era digital: HQtrônicas, webcomics e cultura participativa. Nova Iguaçu, RJ: Marsupial, 2013.

RAMOS, Paulo. A leitura dos quadrinhos. São Paulo: Contexto, 2010.

______. Tiras no ensino. 1. ed. São Paulo: Parábola Editorial, 2017.

POSSENTI, Sírio. Os humores da língua. Análises linguísticas de piadas. Campinas/SP: Mercado das Letras, 1998.

______. Humor, língua e discurso. 1ed. São Paulo: Contexto, 2014.

TRAVAGLIA, Luiz Carlos. Uma introdução ao estudo do humor pela lingüística. In: DELTA - Revista de Documentação de Estudos em Lingüística Teórica e Aplicada, São Paulo, v. 6, n. 1, 1990, p. 55?82.

______. Texto humorístico: o tipo e seus gêneros. In: CARMELINO, Ana Cristina (org.). Humor: eis a questão. São Paulo: Cortez, 2015, p. 49-90.

XAVIER, Glayci Kelli da Silva; SILVA, Nadja Pattresi de Souza e. Argumentação e ensino de língua: por uma gramática do sentido. In: SIQUEIRA, S.; XAVIER, G.; CRUZ, T. (org.). Ouvir, falar, ler e escrever: conjugando competências na escola. Goiás: Espaço Acadêmico, 2020.

Downloads

Publicado

2021-07-08

Como Citar

Xavier, G., & Coelho Cardoso, E. (2021). “Tentando amenizar a impotência do confinamento”:: a rotina pandêmica à luz da ironia dos Bichinhos de Jardim. Gláuks - Revista De Letras E Artes, 21(01), 370-398. https://doi.org/10.47677/gluks.v21i01.231