Padrões lexicais e discursivos em textos gerados por inteligência artificial
autoridade, viés e autoria em perspectiva crítica
DOI:
https://doi.org/10.47677/gluks.v26i02.592Palavras-chave:
inteligência artificial; léxico algorítmico; análise do discurso; filosofia da tecnologia; linguística computacional.Resumo
Este artigo discute criticamente padrões lexicais e discursivos documentados em textos produzidos ou mediados por grandes modelos de linguagem. A expressão léxico algorítmico é empregada, de modo operacional, como sinônimo de padrões lexicais em textos gerados por inteligência artificial, e não como designação de um repertório único, estável ou inerente a todos os sistemas. Trata-se de um estudo teórico-interpretativo, de abordagem qualitativa, baseado em revisão crítica da literatura e análise secundária de pesquisas empíricas com procedimentos explicitados. A comparação organiza-se em três eixos: recorrência e diversidade lexical; construção discursiva de autoridade; reprodução de vieses sociais. Os estudos examinados mostram que escolhas lexicais variam conforme modelo, versão, comando, parâmetros de geração, idioma, gênero textual e contexto de uso. Por isso, palavras ou fórmulas recorrentes constituem tendências situadas, não marcas universais de autoria algorítmica. A análise indica ainda que a fluência pode encobrir incerteza factual e que regularidades distribucionais podem reiterar assimetrias sociais presentes nos dados e nas práticas de avaliação. Por fim, propõe-se compreender a autoria em interações humano-máquina como processo distribuído, sem transferir ao sistema a responsabilidade epistêmica e ética pelo texto publicado.
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