Tanatografia da mãe, de Isadora Fóes Krieger
Elegia e Luto
DOI:
https://doi.org/10.47677/gluks.v25i03.547Palavras-chave:
Brazilian poetry; Tanatografia da mãe; Isadora Fóes Krieger; Elegy; Mourning.Resumo
O artigo analisa a obra Tanatografia da mãe (2022), de Isadora Fóes Krieger, a partir de uma abordagem poético-formal e estilística da representação do luto. A estrutura da obra, concebida como um poema-carta, conjuga lirismo e confissão íntima e desafia fronteiras formais entre gêneros. A escrita se constrói como gesto de despedida da voz poemática que, no entanto, não se consuma, evidenciando a dor prolongada e a impossibilidade de delimitar o luto através de um encerramento simbólico. A metaforicidade, seminal na composição poética, ora figura a fusão entre o eu lírico e a mãe, ora inscreve o vazio e a ausência no pathos da linguagem. As imagens memoriais, a fragmentação sintática e a disposição gráfico-visual indiciam a oscilação afetiva do sujeito lírico, configurando um espaço poético-discursivo de reelaboração subjetiva. Assim, a palavra poética resiste ao esquecimento, configurando a escrita como forma de permanência em face da perda e da lutuosidade.
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