Nem vata, nem antivata
"Poesia de recusa" e o caso Lygia de Azeredo Campos
DOI:
https://doi.org/10.47677/gluks.v25i03.550Palavras-chave:
Poesia brasileira contemporânea, Poesia da recusa, Lygia de Azeredo Campos, Tamara Kamenszain, Augusto de CamposResumo
Este trabalho busca complexificar o que se entende por “poesia da recusa” (Campos, 2006) a partir de um necessário recorte de gênero e de tempo, detendo-se em formas da recusa promovidas por poetas contemporâneas. Atuando com a consideração de um referencial conceitual extraído de Tamara Kamenszain, que popularizou a oposição simbólica entre “vates” e “antivates”, e de Augusto de Campos, o “poetamenos”, nosso maior interesse recai finalmente sobre a carioca Lygia de Azeredo Campos. O seu primeiro e único livro, publicado postumamente, fomenta a discussão sobre as maneiras com que as vozes da despretensão e da brevidade adequam uma atitude crítica desestabilizadora. Esta pode contrapor-se tanto a uma poesia masculina confortável em sua hegemonia, quanto a poetas homens que, embora avessos ao encastelamento estético e machista destas confrarias, não escapam às contradições (como a condescendência diante das chaves “menores” da recusa) ao mesmo tempo ecoadas e disfarçadas pelo seu lugar de poder.
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